OBESIDADE NA INFÂNCIA E NA ADOLESCÊNCIA: UM PROBLEMA QUE PODE SER EVITADO

Temos observado com muita preocupação o aumento do número de crianças com sobrepeso e obesidade. Um problema grave, mas banalizado em muitos lares. O que observo no consultório é que os pais muitas vezes acham que uma criança “gordinha” não é um problema tão sério. Quase sempre acreditam que é apenas uma fase e que, quando a criança crescer, vai adquirir melhores hábitos alimentares e ficar com o peso ideal. 
obesidade na infância e na adolescência
No entanto, sabemos que a obesidade na infância é um grande fator de risco para obesidade na idade adulta, trazendo junto várias doenças crônicas que reduzem a expectativa de vida. Algumas doenças já começam na infância e adolescência, tais como depósito de colesterol nas artérias, problemas articulares, diabetes, dentre outros. Somam-se ao quadro os problemas emocionais relacionados com a obesidade, em uma sociedade que valoriza tanto a magreza.

Para complicar mais a situação, muitos pais e avós tendem a atribuir a obesidade à herança genética. Sem desconsiderar a genética, sabe-se hoje que o maior fator de risco é mesmo uma alimentação inadequada associada a sedentarismo. Com frequência se veem crianças sendo “premiadas” com comidas calóricas, como salgadinhos, biscoitos recheados, entre tantos. 
Também é comum os pais não perceberem quando a criança está cheia e, mesmo bem-intencionados, acabam dando mais comida do que o necessário.

É comum a crença de que praticar esporte livra a criança da obesidade. Sim. A atividade física é fundamental, mas, se a ingestão de alimentos for inadequada, mesmo que a criança seja muito ativa, ainda assim o peso vai estar acima do esperado para a idade. Como podemos observar, são muitas as “armadilhas” que podem levar a criança a tornar-se obesa. O bom é que podemos prevenir e também iniciar o tratamento bem cedo com as crianças que estão acima do peso.

A prevenção e o tratamento vêm de um acompanhamento pediátrico regular, com orientações sobre a dieta adequada para a idade e detecção precoce das crianças que estão acima do peso. A orientação do nutricionista também é muito importante para ajustar o cardápio, lembrando-se de que as crianças estão em fase de crescimento e quase nunca precisam de dietas restritivas, apenas ajustes para a alimentação saudável.

Alerto que está nas mãos dos adultos responsáveis (pais, mães, tios avós, professores) favorecer bons hábitos alimentares. A família toda precisa estar envolvida nesse processo, pois é muito difícil para a criança ter hábitos saudáveis se a família não dá exemplo. Além disso, a mudança de hábitos alimentares precisa ser encarada como um processo positivo, não como uma punição, para que se estabeleça uma nova relação com a comida.

Algumas dicas que fazem toda a diferença e podem trazer resultados excelentes:

- Aleitamento materno exclusivo até o sexto mês; se necessário introduzir fórmula, essa deve ser prescrita pelo pediatra;

- Observar e respeitar os sinais de saciedade da criança, sem forçar a ingestão da comida toda;

- Comer à mesa e com a TV desligada;

- Não usar tablets ou celulares para a criança comer (mesmo crianças com dificuldade de aceitação ou baixo ganho de peso);

- Comer mais comida fresca e caseira;

- Ter alimentos frescos ou minimamente processados à disposição: frutas e alimentos feitos em casa;

- Aumentar a oferta de água durante o dia;

- Ter menos alimentos industrializados à disposição;

- Ter uma rotina de vida e alimentar: horários para comer, brincar, dormir;

- Evitar oferecer alimentos entre as refeições;

- Menos TV, tablet, celular e videogame. Mais brincadeira, pular corda, andar no parque, brincar com cachorro, fazer piquenique ao ar livre, praticar esportes, nadar…

- Tirar o foco só do peso, para não criar uma pressão ainda maior. Falar de saúde, da importância de se alimentar bem e ser ativo!

Comece agora! 
E, principalmente, não desista da alimentação saudável, mesmo que no começo seja difícil.

Assim, você dará para seus filhos maiores chances de um crescimento sem sobrepeso, culpa, transtornos alimentares e diversas outras questões ligadas à obesidade.

Lembrando que comer bem é uma herança para toda vida!