VAMOS PENSAR EM SEGURANÇA DOMÉSTICA?

Quando um bebê vai nascer são inúmeros os preparativos. Os pais pensam em tudo, e são inundados por informações, preocupações, produtos voltados à chegada desse bebê. Enxoval, tipo de parto, amamentação, vacinas, pediatra, e ainda cor do quarto, chá de bebê... a quantidade de itens é infinita.

O que pouco pensamos, no entanto, é em adequar as nossas casas à chegada de um bebê. Tampouco refletimos sobre segurança quando já temos em casa crianças maiores. E a realidade é que acidentes acontecem e nossas casas, em geral, não são pensadas como ambientes seguros para crianças.
segurança doméstica
Infelizmente, esse é um problema que merece nossa atenção. Acidentes são hoje a principal causa de morte de crianças de um a 14 anos no Brasil (considerando todos os tipos de acidentes, dentro e fora de casa, estando os acidentes de trânsito em primeiro lugar). Todos os anos, cerca de 3,6 mil crianças dessa faixa etária morrem e outras 111 mil são hospitalizadas devido a essas causas no país. Esses são dados do Ministério da Saúde em sua plataforma, o Datasus, o que quer dizer que não estão registrados os acidentes mais leves, como pequenas quedas, queimaduras, dedos presos nas portas e quaisquer acidentes que não foram levados ao atendimento hospitalar.

Ou seja, o problema é bem maior do que está registrado nas estatísticas. A boa notícia é que a maior parte dos acidentes podem ser evitados com informação e atitudes simples de prevenção.

Acontece que não temos cultura de segurança doméstica. Ou seja, não costumamos pensar de forma preventiva e adaptar o ambiente para a presença da criança e seu comportamento natural de explorar o ambiente e testar as possibilidades, em geral só vendo o problema depois que ele ocorre. 

Também tendemos a ter demasiada confiança na autonomia da criança, isto é, confiar que a criança não vai se jogar na piscina porque ‘passa todos os dias por lá e nunca se jogou’, ou que não vai cair da escada porque ‘sempre sobe e nunca caiu’. As crianças, especialmente as menores, são impulsivas e têm baixa noção de auto proteção, além de grande vontade de fazer tudo que os adultos fazem. Isso é uma combinação explosiva.

Então, a nossa função enquanto pais, tios, cuidadores, é fazer com esse ambiente seja o mais seguro possível e ensinar aos poucos as crianças a desenvolverem noções de cuidados consigo mesmas. É dever dos pais assegurar a segurança física de crianças e adolescentes.

A casa pode ser muito perigosa para crianças pequenas. Há móveis altos, acessórios de cozinha, tomadas, produtos de limpeza, remédios, fornos quentes, pisos que escorregam. A lista é interminável. O ideal é avaliar cada cômodo da casa com calma (de preferência com as crianças dormindo) e pensar nas adaptações necessárias – em geral, são mudanças simples, como não deixar o carregador do celular ligado na tomada sem o celular, por exemplo. Existem na internet várias cartilhas e dicas de segurança que podem ser seguidas, adaptando à realidade de cada casa (o site criança segura é uma boa referência). Sugiro ainda que, sempre que a criança mudar de fase (por exemplo, começou a engatinhar), a família reveja os ambientes que a criança frequenta. Em casas com várias crianças, sempre ajustar pensando na de menor idade. E é muito importante que as regras sejam repassadas com todos os cuidadores e em todos os ambientes em que essa criança circula, por exemplo, casa dos avós.

Crianças pequenas devem brincar e se alimentar supervisionadas o tempo todo. Grandes acidentes ocorrem em pequenos períodos de distração. Como nem sempre podemos contar com mais de um cuidador, a saída é ter cercadinhos em que a criança possa ficar em segurança enquanto o cuidador vai ao banheiro, atende ao telefone ou faz alguma atividade na cozinha. Em caso de uso de piscinas, tanques e banheiros nenhum período é considerado seguro sem supervisão. Na faixa etária de 1 a 4 anos os afogamentos podem ocorrer em quantidades muito pequenas de água, como baldes ou bacias, então devemos lembrar de esvaziá-los após cada uso.

Quando há mais de um cuidador, é importante que fique claro quem está responsável pela criança naquele momento. Às vezes em casas com várias pessoas adultas, ninguém realmente está supervisionando a criança, o que permite que ela se desloque perigosamente na casa, por exemplo, indo para garagens, piscinas ou subindo em escadas.

Ao falar sobre segurança doméstica, muitas vezes os pais ficam desanimados, pensando ser uma missão impossível. Mas a intenção não é deixá-los desesperados, e sim, criar ambientes onde nossos pequenos aventureiros possam brincar e crescer em segurança. Vamos pensar no nosso ambiente e deixar a casa mais segura para nossas crianças?